A Ovelha Colorida.

Ela não compete nem julga o rebanho. Ela apenas floresce na leveza de ser a sua própria verdade.

Houve um tempo em que ser igual não era apenas uma escolha, mas uma questão de sobrevivência. Na nossa longa caminhada como humanidade, vamos adaptando o modus operandi, e, nos últimos quatrocentos anos, temos funcionado em modo “tribal”. Nele, a segurança está no grupo, as respostas prontas e qualquer desvio do padrão significa o perigo da exclusão. Para não sermos deixados para trás, vamos vestindo a mesma lã branca da conformidade.

Mas os tempos mudam, e estamos a atravessar uma transição energética e de consciência fascinante: o despertar do “individual”. Nessa nova era, as velhas fórmulas de “seguir o chefe” ou “fazer porque todo mundo faz” começam a perder o sentido. É aqui que surge a mudança, e a importância de transformar determinados conceitos. É imperativo transformar velhas crenças e também as crenças novas que já se tornaram velhas! O rótulo ovelha negra sempre carregou a energia do julgamento. Até mesmo de quem se orgulha de ser essa ovelha negra. Tanto quem aponta como quem se assume fá-lo por sobrevivência, e medo do julgamento.

Quem trilha caminhos diferentes, ou pelo menos quem sente o caminho de forma diferente dos demais à sua volta, não sai da estrada comum para estragar as regras da tribo. O grande segredo para que esta transição seja mais leve é a disponibilidade para a aceitação da diferença, da individualidade, e consequentemente a ausência de julgamento. Não há certo ou errado nesta mudança. A tribo cumpriu o seu papel de nos proteger até aqui, e as ovelhas brancas continuam a ter a sua beleza e o seu valor.

Por isso trago o conceito renovado: a ovelha colorida não nasce para julgar o passado ou criticar quem prefere continuar no modo tradicional. Mais do que isso: a ovelha colorida não quer competir nem provar nada a ninguém. Ela não busca aplausos, não quer liderar uma revolta e nem precisa convencer os outros de que a sua cor é a melhor. O seu brilho não é um grito de guerra, mas um estado de paz – ela simplesmente é. Ao deixar de gastar energia para provar o seu valor para a tribo, ela finalmente encontra a leveza de apenas viver a sua verdade.

Ela está a renascer para anunciar que agora cada um pode — e deve — brilhar com a sua própria luz.

Esta transição do tribal para o individual não é um ato de egoísmo, mas de pura evolução e leveza. Significa que:
– O pertencimento mudou: ninguém precisa mais se anular para caber em um grupo.
– A autoridade é interna: o autoconhecimento substitui os manuais de regras externas.
– A diversidade é a nova harmonia: o rebanho fica muito mais bonito quando deixa de ser monocromático e assume todas as cores possíveis.

Claro que deixar a segurança morna da tribo para assumir a própria cor dá um certo frio na barriga. Mas a leveza dessa nova fase reside exatamente aí: cada um está livre para ser rascunho, para mudar de tom e para colorir a sua vida do jeito que fizer sentido para a sua alma.

Ninguém é um erro no sistema.

Que a nossa cor individual e única seja o nosso porto e a nossa paz.
Nem contra o rebanho, nem à frente dele.
Apenas cada um de nós, inteiro e livre, a colorir o mundo pelo simples e belo direito de existir.

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