Insolvência Energética…

De que vale resistir, insistir, controlar...??? Já te deste conta, em algum momento da tua vida, de estares sempre à procura do teu melhor potencial?

Numa corrida desenfreada de busca do máximo esperado para a nossa vida esquecemos de usar o mínimo necessário, e que já possuímos, para vivenciar aquilo que a vida nos disponibiliza no momento, e não nos damos conta que esse sim é o nosso maior e melhor potencial – a capacidade de aceitar e viver cada instante que nos é presenteado pela vida!

Cada minuto da nossa vida é digno de existir, o que é o mesmo que dizer que cada instante em cada momento, cada situação tem a sua própria dignidade.

Quando o que acontece não é o que pensamos, ou esperamos, que devia acontecer estamos a criar uma dependência na busca dum resultado. Enquanto permanecermos nesta expectativa estaremos como que num looping (círculo vicioso) de frustração que não tem fim, e a cada volta aumentamos a fasquia da expectativa. Esta engrenagem um dia desgasta por excesso (irresponsável) de uso e chega-se a um tal estado que eu gosto de chamar de insolvência energética – desgaste de energia brutal naquilo que não importa num determinado momento.

O resultado do que está a acontecer num determinado instante do presente é o instante em si mesmo, nada mais… e muito menos é a compreensão desse instante, o que em verdade é o que constantemente teimamos fazer. Isto gera um cansaço extremo porque estamos constantemente a tentar compreender o que está a acontecer num determinado instante e ainda não satisfeitos tentamos muitas vezes analisar aquilo que acabamos de compreender… isto é feito inconscientemente em looping, a todo o momento e nem nos damos conta.

Tudo o que acontece na nossa vida tem um sentido próprio, mesmo que a nossa mente não o compreenda.

Quantas vezes nos angustiamos com os nossos sentidos e nossos próprios significados das coisas, com o objetivo de conseguirmos uma compreensão intelectual, para estarmos em paz?

Não percebemos assim que a paz surge precisamente quando nos abrimos a viver o instante tal como ele é e a descobrirmo-nos nele. Não queremos aceitar que a situação que a vida nos presenteia, a cada instante, é como é precisamente para que nos descubramos a nós mesmos e encontremos essa paz dentro de nós.

A paz não depende do reconhecimento dum resultado esperado… Ela acontece na transformação que é obtida precisamente nas situações que nos surgem e que nos levam ao limite da compreensão. Como não compreendemos usamos o medo para fugir da situação… O truque e o convite da vida é precisamente deixarmo-nos levar pela situação, vivê-la e não evitá-la.

Admitir que saber que não sabemos, é uma tremenda experiência de sabedoria que nos transporta em liberdade para estarmos em máximo potencial com o mínimo necessário da nossa energia!

Quando temos uma intenção e uma “certeza” interna do que fazer, a energia que nos invade o corpo é pura e despojada de mas e se’s. Estando neste looping que descrevi atrás acontece que vamos adiando o agir porque evitamos sentir o desconforto que o medo nos leva a crer e duvidar da nossa intenção. Sem nos darmos conta, a energia pura da entrega nessa intenção transforma-se em energia de necessidade… porque nos deixamos ir pela “fraqueza” da mente e não pela “força” do sentir, e tentamos agir na pressa de conseguir aquilo que agora parece ir…

A “sorte” é apenas aquilo que acontece quando paramos de interferir com a vida. Quando aceitamos a dignidade de cada momento e o vivemos sem interferências do que a mente projeta para o futuro. O nosso presente momento não encaixa em nenhum espaço do nosso passado, e o nosso futuro dependerá da forma que obtermos da dignidade que damos à vivência deste instante presente!

E assim evitamos a nossa própria insolvência energética, deixando de ser apenas o eco do nosso ego/mente para sermos a voz da abundância do nosso melhor potencial a cada situação que nos permitimos viver.

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